VI Fórum Piauí de Inclusão debate desafios e avanços na acessibilidade e inclusão profissional de pessoas com deficiência
O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI), juntamente com várias outras instituições público e privadas, realizou, nesta quinta-feira, 20,o VI Fórum Piauí de Inclusão, em Teresina, reunindo representantes de instituições públicas, empresas, entidades sociais e pessoas com deficiência para discutir os desafios e as perspectivas da inclusão no mercado de trabalho. O evento reforçou a importância da Lei de Cotas (Lei nº 8.213/91), que estabelece a obrigatoriedade de contratação de pessoas com deficiência por empresas com 100 ou mais empregados, e trouxe relatos emocionantes de pessoas que hoje ocupam espaços profissionais graças às políticas de inclusão.
Ao longo do encontro, foram debatidos temas como acessibilidade, barreiras atitudinais, práticas de contratação, permanência da pessoa com deficiência no ambiente de trabalho e a necessidade de fortalecer ações interinstitucionais para garantir oportunidades dignas e efetivas.
O procurador do Trabalho Igor Costa, coordenador regional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), destacou que o objetivo do Fórum foi trazer a mensagem da inclusão para o estado do Piauí. “Estamos comemorando os 10 anos da Lei Brasileira de Inclusão, marco legislativo que representou um avanço significativo na implementação de políticas de inclusão, acessibilidade e, principalmente, combate à discriminação. Tivemos capacitações, palestras que fizeram refletir sobre esse assunto e a escuta de pessoas com deficiência falando sua realidade e suas expectativas”, pontuou, destacando que a inclusão não deve ser somente um número, mas políticas públicas de verdade para implementar os direitos de todos.
O Coordenador do Fórum, Marcos Júnior, destacou que o Fórum chega à sua sexta edição reafirmando seu papel como espaço de diálogo e transformação. “Discutir inclusão é pensar em políticas públicas concretas, mas também em mudança cultural. Por isso, nosso Fórum foi tão importante para que as pessoas com deficiência pudessem ouvir e também serem ouvidos. Precisamos que empresas, gestores e sociedade compreendam seus papeis e garantam que esses direitos sejam respeitados e fortalecidos”, destacou.
Durante o Fórum, as pessoas com deficiência também tiveram espaços de fala. André Felipe, por exemplo, é autista e pôde relatar sua experiência até ser inserido no mercado de trabalho. “Primeiro há um choque cultural inicial. Porém, fui acolhido, através do Instituto All, que também intermediou a acolhida junto à empresa que fui contratado, criando um ambiente organizado e favorável ao meu desenvolvimento no trabalho. Na empresa sou tratado como humano. É muito bom ver a inclusão sendo trazida à tona, dando voz. Infelizmente, esses projetos são raros, mas que isso seja um motivador para lutarmos ainda mais para mudar essa realidade. Muitos autistas não foram alcançados, estão em depressão, tomando remédios e não veem futuro para si mesmo. Eu estive em posição similar, mas hoje tenho experiência e voz para falar. É preciso replicar essas alternativas para que os que mais precisam tenham um novo futuro”, relatou.
Um dos grandes desafios é o cumprimento efetivo da Lei de Cotas, que exige que empresas com 100 ou mais funcionários reservem entre 2% e 5% de seus cargos para pessoas com deficiência ou reabilitados pela previdência social. O auditor fiscal do trabalho, Leonardo Araújo, que atua na fiscalização de inclusão de pessoas com deficiência, destacou que o órgão fiscaliza não apenas a oferta de vagas, mas as condições estruturais de acessibilidade no ambiente de trabalho. “Atuamos tanto na verificação do cumprimento de cotas por parte das empresas, mas também fiscalizando a acessibilidade no ambiente de trabalho. É importante eliminar as barreiras estruturais, arquitetônicas para que a pessoa om deficiência tenha um ambiente adequado à sua limitação e consiga desempenhar suas atividades diárias”, reforçou.
Além das discussões, o VI Fórum Piauí de Inclusão resultou em encaminhamentos para ampliar ações de fiscalização, sensibilização e capacitação de empresas. Instituições parceiras se comprometeram a fortalecer redes de apoio e a promover práticas inclusivas, reforçando que o combate à exclusão no mercado de trabalho depende da articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil.
Durante o Fórum, o Coral Nova Visão, composto por pessoas assistidas pela Associação dos Cegos, se apresentou cantando músicas natalinas. Além disso, instituições parceiras como o Tribunal Regional Eleitoral, esteve presente fazendo a atualização cadastral eleitoral. A Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Piauí, também compareceu prestando orientação jurídica e as pessoas assistidas pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) puderam expor e comercializar produtos confeccionados por eles.
Ao final, foi apresentado o Relatório Anual de Acessibilidade, reunindo ações desenvolvidas em 2025 pelas instituições que integram o Fórum.
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