MPT-PI e Uespi promovem curso com dirigentes sindicais e reforçam importância de combater riscos psicossociais no ambiente de trabalho
O Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) e a Universidade Estadual do Piauí realizaram mais um módulo do curso voltado aos dirigentes sindicais, abordando a atualização da nova Norma Regulamentadora NR-1 e destacando a relevância de dominar o conteúdo técnico e jurídico para proteger a saúde mental dos trabalhadores. No terceiro módulo foram abordados os aspectos fundamentais sobre os fatores psicossociais no ambiente laboral, tema que vem ganhando crescente atenção diante do aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais.
De acordo com a procuradora do Trabalho Maria Elena Rego, as projeções sobre os afastamentos já eram graves desde a década de 1980, quando a Organização Internacional do Trabalho e a Organização Mundial da Saúde alertavam para uma epidemia de adoecimento mental relacionada às novas condições de trabalho. “As instituições diziam que, em 20 anos, a situação dos trabalhadores seria bastante grave. Atualmente, no ano de 2025, os números de afastamentos por transtornos mentais cresceram assustadoramente. Esses riscos psicossociais são decorrentes das novas formas de organização das empresas, sendo relacionados à organização do trabalho, à gestão do trabalho e às condições em que o trabalho é realizado”, pontuou.
O curso contou com a presença de representantes sindicais, psicólogos e consultores de RH, que reforçaram a necessidade de estarem preparados para intervir e negociar com as empresas. O representante sindical, João de Carvalho Neto, ressaltou que a compreensão profunda da nova norma é essencial. “Nesse momento, vamos dialogar com as empresas para que todos os fatores que afetam a saúde mental sejam corrigidos. É extremamente importante que nós adquiramos domínio a respeito da norma para obter o melhor resultado a favor da saúde dos trabalhadores”, afirmou.
A psicóloga Liliane Leite Moreira, professora da Uespi, alertou que essa problemática é mundial. “Existe um reconhecimento de que o ambiente de trabalho está em crise, porém há uma dificuldade de responsabilização por parte das empresas. Por outro lado, existe um movimento mundial de buscar soluções, como a redução da jornada para quatro dias. Então, precisamos firmar a parceria entre sindicatos e o Estado para fortalecermos a proteção ao trabalhador”, concluiu.
A capacitação com os dirigentes sindicais foi dividida em seis módulos e está sendo transmitida por webconferência, além dos encontros presenciais. No próximo módulo serão abordadas a Norma Regulamentadora 1 (NR1) e a Lei 14.831 de 2024. Já no quinto e sexto módulos serão abordadas as repercussões para trabalhadores vítimas dos riscos psicossociais e as interações socioprofissionais e a violência no trabalho.
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